O efeito da ingestão de nuts no controle do diabetes

O efeito da ingestão de nuts em marcadores de controle glicêmico: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

A morte prematura devido ao diabetes melito (DM) aumentou em 25% na última década. Estima-se que 422 milhões de indivíduos no mundo apresentam DM. Nos Estados Unidos, por volta de 30,2 milhões de adultos têm DM, sendo 90% DM tipo 2 e 7,2 não sabem que têm DM. Alguns estudos epidemiológicos sugerem que o consumo de nuts reduz o risco de DM e sua mortalidade, embora essas evidências permaneçam inconclusivas. Uma revisão sistemática e metanálise de cinco estudos de coorte prospectivos e um estudo randomizado controlado mostraram uma redução de 13% no risco de DM tipo 2 quando consumidas  4 porções (28,4 g/porção) de nuts por semana (RR: 0,87; IC 95%) : 0,81, 0,94). Uma metanálise semelhante de estudos de coorte prospectivos relatou uma redução de 12% no risco de DM tipo 2 quando era ingerida  1 porção (28g) por dia de nuts (RR: 0,88; 95% CI: 0,84, 0,92), mas quando foi ajustada para índice de massa corporal (IMC), a associação não foi mais  significante (RR: 1,03; IC95%: 0,91, 1,16). Mais recentemente, Aune e colaboradores mostraram, em uma revisão sistemática e metanálise de 4 estudos (n = 202.751), que quando ingeridos 28 g por dia de amendoim e nuts, o risco de mortalidade por DM foi reduzido em 39% (RR: 0,61; IC95%: 0,43, 0,88).

OBJETIVOS DO ESTUDO

Realizar uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados para examinar o efeito da ingestão de nuts e amendoim sobre os marcadores de controle glicêmico em adultos.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados. Foi incluída a ingestão de amendoim, que embora seja botanicamente um legume, seu consumo na dieta é semelhante ao de nuts e o Guia Alimentar Americano, desde 2015-2010, estabelece que amendoim, pasta de amendoim com amêndoas e mix de nuts são consideradas em conjunto.

Inicialmente foram selecionados 1302 artigos. Critérios de inclusão eram adultos maiores de 18 anos, presença de grupo controle sem ingestão de nuts e seguimento por pelo menos 3 semanas. Para análise do efeito sobre DM, foram considerados glicemia de jejum, insulina em jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e modelo de homeostase de resistência à insulina (HOMA-IR). Após exclusão dos em duplicada, ficaram 1063 para primeira dos resumos. Desses, 86 foram recrutados para análise integral do artigo. Após retirada de 46 por não ser na língua inglesa, ser resumo de conferências, não ter intervenção de pelo menos 3 semanas, entre outros motivos, sobraram 40 para a análise final.

RESULTADOS

Dos 40 ensaios clínicos randomizados incluídos, obteve-se 2832 participantes, com uma duração mediana de intervenção de 3 meses (intervalo: 1-12 meses). A quantidade de nuts ingerida variou de 20 a 113g por dia (mediana de 52g). As nuts ingeridas nos ensaios clínicos randomizados foram: amêndoas (n=11), amendoim (n=4), castanha de caju (n=2), avelãs (n=1), mix de nuts (n=3), nozes pecan (n=1), pistache (n=7), nozes (n-12), óleo de nuts (n=1).

Foi observada uma diminuição significativa do HOMA-IR e dos valores de insulina de jejum. No entanto, não foi observado nenhum efeito na HbA1c e na glicemia de jejum, Foi constatado que a ingestão de nuts nessa quantidade não esteve associada com nenhum dos desfechos estudados.

CONCLUSÕES

Os resultados dessa metanálise sugerem que o consumo de nuts pode ter um papel em melhorar a sensibilidade à insulina e atrasar o desenvolvimento e progressão de DM tipo 2. Necessário, no futuro, clinical trials bem desenhados, que investiguem o efeito do consumo de nozes em indivíduos com e sem DM para elucidar os mecanismos envolvidos na proteção do consumo de nozes nos marcadores glicêmicos.