A melhora do peso não está associada à melhora da proteína corporal total após a realimentação de adolescentes portadores de anorexia nervosa

A melhora do peso não está associada à melhora da proteína corporal total após a realimentação de adolescentes portadores de anorexia nervosa

A saúde óssea e o crescimento durante a adolescência requerem uma quantidade de proteína corporal total adequada. A realimentação de pacientes com anorexia nervosa (AN) deve ter como objetivo normalizar a composição corporal e recuperar tanto a massa gorda quanto a proteína corporal total.

O tema foi abordado por recente estudo longitudinal observacional que analisou os preditores do status proteico e a influência do exercício físico em adolescentes com AN e investigou se o ganho de peso iria repor os déficits de proteína corporal.

Para tal, a proteína total corporal foi avaliada usando o índice de nitrogênio corrigido pela altura em 103 adolescentes com AN [idade média ± DP, 15,6±1,4 anos; índice de massa corporal (IMC, em kg/m2), 16,5±1,6] no início da realimentação de pacientes internados (T0), em 56 desses pacientes 7 meses depois em pacientes ambulatoriais (T1) e em 51 adolescentes controles pareados por idade (15,5±2,1; IMC 20,7±1,9). O IMC, o escore de desvio padrão do IMC e a massa magra foram testados como preditores do status proteico.

Os resultados mostraram que em T0 o índice de nitrogênio estava significantemente diminuído nos portadores de AN, em comparação com o grupo controle. Os adolescentes que praticavam exercício físico apresentaram maior índice de nitrogênio em comparação aos que não se exercitavam. IMC, escore de desvio padrão do IMC e massa magra não se mostraram bons preditores do status proteico. O estudo ainda mostrou que o aumento de peso e o do IMC não foram associados a um aumento de proteína total corporal. No subgrupo (T1) de AN foi verificado que o índice de nitrogênio ainda não havia se normalizado após sete meses do início da realimentação. Em resumo, adolescentes em recuperação de AN permaneceram com depleção proteica sete meses após o início da realimentação, apesar de terem recuperado o peso.