IMPORTÂNCIA E ESTUDOS DA FARMACOTERAPIA ANTIOBESIDADE

IMPORTÂNCIA E ESTUDOS DA FARMACOTERAPIA ANTIOBESIDADE

A homeostase energética – que é a interação metabólica que mantém a energia do corpo para sobrevivência em curto e longo prazo – é diferente nas pessoas com obesidade e nas pessoas magras.

Os medicamentos agem para reduzir o consumo de energia, inibindo a fome, aumentando a saciedade, diminuindo o desejo pelo consumo de gordura e reduzindo a absorção de nutrientes como gorduras e carboidratos, em alguns casos.

Eles ainda aumentam a taxa metabólica, que é o mínimo de energia necessária para manter as funções do organismo em repouso, como os batimentos cardíacos, a pressão arterial, a respiração e a manutenção da temperatura corporal. Fazendo assim, que haja um maior gasto energético.

Esses agentes farmacológicos – anfepramona, clobenzorex, femproporex/fentermine e mazindol – além da sibutramina, lorcaserina, liraglutina e associações, são agentes extremamente importantes para tratar pacientes obesos, assim como se faz a prescrição médica para tratamento de hipertensos, diabéticos e dislipidêmicos, etc. e a prescrição evidentemente sempre com monitoramento médico.

Desde 1980 a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade uma doença crônica e não por acaso consta no Código Internacional de Doenças (CID) com a figuração E-66 e outras siglas. Estudos recentes com fentermine (fenproporex) publicados em uma revista de alto impacto cientifico (AIM) demonstraram que após 25 anos de tratamento com este agente farmacológico, nenhum caso de adicção, ou seja, dependência química ou psicológica foi detectado; também estudos com dietilpropirona realizados tanto pela USP de São Paulo como UFP do Paraná mostraram a eficácia desses agentes farmacológicos e consequentemente a necessidade da utilização para os pacientes obesos. Infelizmente é notório que a versão de um fato, quer seja cientifico e/ou político, pode se tornar maior que o próprio fato no caso da obesidade, especificamente no seu tratamento farmacológico. Ainda grupos não especialistas entendem a obesidade como uma doença simples e causada apenas pela alta ingesta alimentar e baixos níveis de atividades físicas. Esquece-se que esse conceito antigo com as novas descobertas já estão desfasados e fatores etiológicos atualizados demonstram claramente esse equívoco científico e que está levando a um mundo todo o desenvolvimento do maior problema de saúde pública mundial que é a obesidade e suas comorbidades associadas.

As doenças crônicas devem ser tratadas de forma semelhante, mas no caso da obesidade, dos pacientes obesos, esse conceito, por erro conceitual, não está sendo respeitado. Não por acaso os pacientes obesos são estigmatizados e discriminados pela sociedade.

Veja a recomendação preconizada atualmente:

IMC Sem comorbidades Com comorbidades
25 – 29,9 Dieta + Atividade Física Dieta + Atividade Física + Medicamentos
30 – 34,9 Dieta + Atividade Física + Medicamentos Dieta + Atividade Física + Medicamentos
35 – 39,9 Dieta + Atividade Física + Medicamentos Dieta + Atividade Física + Medicamentos + Cirurgia
40 – + Dieta + Atividade Física + Medicamentos + Cirurgia Dieta + Atividade Física + Medicamentos + Cirurgia

Observar que o medicamento está presente na grande maioria das indicações. A obesidade é uma doença crônica grave, poligênica e multifatorial. De acordo com estudos publicados em periódicos americanos de alto impacto cientifico, existem fenótipos relacionados a genes candidatos da obesidade, que efetivamente requerem a farmacoterapia antiobesidade, logicamente sempre dando ênfase para a mudança de estilo de vida, que envolve alimentação e atividade física, além, eventualmente, de mudanças cognitivo-comportamentais.

Veja a complexidade da doença obesidade: a existência de proteínas codificadas que atuam na predisposição ao sedentarismo, na baixa oxidação lipídica, no processo responsável pela combustão das células do tecido adiposo, na adipogênese e na regulação da saciedade, são fatores etiológicos que justificam com tranquilidade científica a prescrição de agentes farmacológicos antiobesidade.

Justamente por todas essas informações cientificas, por todo trabalho que as indústrias farmacêuticas através de pesquisas maravilhosas estão desenvolvendo para novos agentes antiobesidade, por toda necessidade que existe para o controle (e não a cura) dos pacientes obesos, faz-se necessário a prescrição de medicamentos no combate à doença obesidade. Outrossim, errado e enganoso utilizar o termo medicamentos anfetamínicos como referência aos medicamentos inibidores do apetite, do grupo feniletilamina, por conta da sua imagem negativa e seu conteúdo inexato, conforme vários periódicos especialistas constatam. No Brasil, o projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina junto com 5 (cinco) sociedades de especialidades médicas, especialistas nessa área, publicou o grau científico de referência para a prescrição dos medicamentos antiobesidade, demonstrando referência A e B para os medicamentos Sibutramina, Orlistate, Dietilpropirona, Fenproporex e Mazindol.

O Dr. Richard L. Atkinson, médico que atua há mais de 30 anos nesse campo, e Cofundador da Associação Americana de Obesidade e Professor de Medicina Molecular do Instituto Suíço Karolinska, comentou sobre a complexidade e o preconceito que envolve a doença. “Muitos médicos e agências governamentais ainda mantêm o pensamento de que a obesidade é um problema relacionado a um estilo de vida inadequado ou de comportamento alimentar ruim unicamente”, analisou. Os medicamentos antiobesidade são armas poderosas para o controle dessa pandemia, conforme a própria Organização Mundial da Saúde propôs em seu relatório anual de 2004.

 

#Destaque