Estudo aponta nutrientes que podem agravar o câncer de próstata

Estudo aponta nutrientes que podem agravar o câncer de próstata

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comumente diagnosticada e a segunda principal causa de mortalidade por câncer entre homens americanos. Os fatores de risco para câncer de próstata incluem idade, história familiar da doença e raça/etnia. Homens afro-americanos tem a maior taxa de mortalidade por câncer de próstata no mundo. Essa disparidade racial acentuada pode ser o resultado de diferenças de acesso,   rastreamento e tratamento, de níveis séricos de andrógenos, da genética, de fatores ambientais, socioeconômicos e/ou dietéticos, ou de uma combinação desses aspectos.

A ingestão de cálcio (Ca) tem sido positivamente associada  à presença de câncer de próstata. O magnésio (Mg), o segundo cátion mais abundante no corpo, tem demonstrado regular o metabolismo da glicose, a inflamação e a proliferação celular. Porém, quando ingeridos, o Mg e o Ca competem pela absorção intraepitelial e reabsorção intestinal nos rins. Suas concentrações no corpo são reguladas através de um mecanismo de feedback negativo, de tal forma que baixas concentrações de um ou outro poderiam aumentar os efeitos do outro. Ou seja, a proporção de Ca para Mg (Ca:Mg) pode estar mais fortemente associada ao risco de doença do que o mineral sozinho, embora haja dados limitados em relação ao câncer de próstata em diversas populações.

Neste contexto, um estudo realizado por Steck SE e colaboradores, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, examinou as ingestões de Ca e Mg,  a relação Ca:Mg e a ocorrência de câncer de próstata e a raça. Foram também examinadas as relações entre a ingestão de produtos lácteos (leite integral e desnatado) e a agressividade do câncer de próstata. Foram avaliados  996 homens afro-americanos e 1064 europeus americanos com diagnóstico recente, histologicamente confirmado, de câncer de próstata do Projeto de Câncer de Próstata da Carolina do Norte-Louisiana.

Como resultado, encontraram que a relação Ca:Mg foi positivamente associada ao câncer de próstata agressivo, enquanto o consumo de Ca sozinho não teve associação. A ingestão dietética de Mg  foi inversamente associada ao câncer de próstata agressivo. Os sujeitos que consumiam leite integral estavam em maior risco de câncer de próstata agressivo em comparação com os que não ingeriam  leite ou os que consumiam outros tipos de leite.  A ingestão de produtos lácteos não mostrou associação com a agressividade do câncer de próstata.

Especula-se que os mecanismos pelos quais o leite integral pode afetar a agressividade do câncer de próstata incluem efeitos deletérios da gordura saturada, aumento das concentrações de peptídeo C ou de fator de crescimento semelhante à insulina.

Assim, os pesquisadores concluíram que entre os homens afro-americanos e europeus americanos diagnosticados com câncer de próstata, uma maior relação de Ca: Mg e uma ingestão de leite integral foram associados com maior probabilidade de câncer de próstata altamente agressivo.

Estudos futuros são necessários para explorar o papel modificador de efeito da raça nas relações entre nutrientes, como Ca e Mg, e agressividade do câncer de próstata, e a interação entre Ca e Mg na patogênese e progressão do câncer de próstata.

Este estudo foi registrado em www.clinicaltrials.gov como NCT03289130.

CONFIRA O ENSAIO COMPLETO EM https://doi.org/10.1093/ajcn/nqy037

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