Insuficiência Intestinal e Síndrome do Intestino Curto na Doença de Crohn

Efeitos dos alimentoInsuficiência Intestinal e Síndrome do Intestino Curto na Doença de Crohn: Uma Revisão Sistemáticas funcionais em pacientes diabéticos: uma revisão sistemática

A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória crônica e progressiva, caracterizada pelo envolvimento transmural do trato digestivo. Esta é a razão para o aparecimento frequente de estenoses, abscessos e fístulas intestinais. Apesar dos avanços no tratamento medicamentoso, mais da metade dos pacientes com DC serão submetidos a ressecções intestinais nos próximos 10 anos após o diagnóstico da doença. Destes, um terço ainda precisará de uma segunda ressecção intestinal em 5 anos após o primeiro procedimento. Como a maioria dos pacientes desenvolve a doença entre a adolescência e o início da idade adulta, ressecções frequentes podem desenvolver síndrome do intestino curto (SIC) e/ou insuficiência intestinal (IF). Os fatores de risco para tais situações são idade jovem ao diagnóstico e primeira cirurgia, doença com estenose, história familiar de doença inflamatória intestinal, tabagismo e complicações pós-operatórias.

Por esses motivos, a DC é uma das causas mais comuns de IF com necessidade de nutrição parenteral domiciliar (HPN). Somente no Reino Unido, é responsável por 25% de todas as causas de IF, enquanto no Japão, um estudo revelou uma incidência de IF de 3,6; 6,1 e 8,5% em 10, 15 e 20 anos de doença, respectivamente. Esta situação é extremamente mórbida, com importante impacto na qualidade de vida. Na última década, o uso frequente de agentes biológicos no tratamento da DC trouxe resultados promissores, esperando-se a redução de procedimentos cirúrgicos de longa duração com seu uso. Ainda faltam dados para apoiar esta hipótese. No entanto, um estudo de coorte de base populacional encontrou um risco 2,2 vezes menor para intervenção cirúrgica na era do uso de agentes biológicos quando comparado à era sem o uso desses medicamentos.

OBJETIVOS DO ESTUDO

O presente estudo teve como objetivo discutir os aspectos epidemiológicos e patológicos da insuficiência intestinal com síndrome do intestino curto na doença de Crohn (DC), com foco no manejo nutricional, medicamentoso e cirúrgico.

CONSIDERAÇÕES

Apesar da terapia medicamentosa otimizada, o risco de múltiplas intervenções cirúrgicas ao longo dos anos é alto, levando o paciente a desenvolver a síndrome do intestino curto (SBS). Assim, o manejo adequado no pós-operatório interfere diretamente no prognóstico a longo prazo. Inicialmente, a maioria desses pacientes, devido a distúrbios hidroeletrolíticos e incapacidade absortiva inerente à SBS, necessitará de suporte nutricional parenteral. De acordo com o perfil digestivo residual do paciente e de acordo com o manejo nutricional (oral, enteral e/ou parenteral), o intestino evoluirá em sua capacidade adaptativa. Durante este período, são utilizados agentes de controle para motilidade e secreção intestinal e, se necessário, agonistas de GLP-2 (intestinotróficos). Nos casos refratários a esses tratamentos, ainda podemos indicar procedimentos cirúrgicos para controle da motilidade, aumento do comprimento intestinal e, por fim, transplante. A DC é recorrente, e os pacientes com SBS necessitam de uma abordagem multidisciplinar com monitoramento contínuo para proporcionar melhor reabilitação intestinal e consequente qualidade de vida.