Consumo de cítricos previne o escorbuto
Publicado em 09/05/2026

O escorbuto está descrito desde a Antiguidade, mas tornou-se amplamente reconhecido como uma das doenças mais temidas durante a Era das Grandes Navegações, entre os séculos XV e XVIII, quando navios cruzavam oceanos em longas jornadas sem acesso a alimentos frescos. Provocado pela deficiência de vitamina C, o mal afetava marinheiros submetidos a dietas baseadas em biscoitos secos, carne salgada e água armazenada, levando a sintomas como fraqueza extrema, sangramentos nas gengivas, perda de dentes e, frequentemente, à morte. Durante séculos, o escorbuto representou um inimigo invisível a bordo, causando mais baixas do que as batalhas ou tempestades. Entretanto, a conexão entre o consumo de frutas cítricas e a prevenção do escorbuto foi demonstrada apenas no século XVIII pelo médico naval escocês James Lind, da Marinha Real Britânica, pioneiro da higiene naval e responsável pelo primeiro ensaio clínico controlado em 1747.

“Desta maneira, a relação direta entre o consumo de frutas cítricas e a prevenção do escorbuto configurou um marco inicial da nutrição baseada em evidências”, pontua a médica nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e professora de Nutrologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Atualmente, o escorbuto é considerado uma doença rara. No entanto, pode ocorrer em alguns grupos específicos como idosos, que têm problema de absorção e limitação para consumir alimentos.